1001 MANEIRAS DE POUPAR

PURA IMAGINAÇÃO AO SERVIÇO DAS FAMÍLIAS/ UM BLOG CONFIÁVEL E RESPONSÁVEL/ REFLEXÕES, CONSELHOS, IDEIAS ORIGINAIS/UM BLOG PARA SE LER DEVAGAR

Sábado, Julho 04, 2009

Procurar Ser




Uma pessoa não vale pelo que tem.
Vale pelo que é.
Há pessoas que, porque já têm, pensam que já são.
Não são. Nem se sabe se virão a ser.



Toca o telemóvel.
–É para vires.
Salta da cama. Enfia umas calças desbotadas, calça as botas. Dá um beijo na mulher. Veste um casaco vermelho. Daí a pouco, com o coração aos saltos, enquanto pensava «Coragem não é a ausência de medo. Ter coragem é ser capaz de enfrentar o medo», entrava a correr num carro vermelho. Desta vez, ia no carro de desencarceramento. Ele é.

Quando ouviu o pai, fechar a porta devagarinho, acordou. Acordava sempre. E estendeu a mão para debaixo da cama. A lanterna oferecida nos 5 anos. Foi descalço ao cabide buscar o seu casaco vermelho, igual ao do pai. Vestiu-o e voltou a deitar-se. Adormeceu assim.
Será.

Na televisão passava uma legenda em rodapé com qualquer coisa sobre «poder de compra» que lhe chamou a atenção, e em cima dela estava o último recibo do ordenado.
Não perdeu mais de 1 minuto a pensar quanto tempo demoraria a chegar aos 400 euros por mês. Não teve tempo de pôr batom, apenas compôs o cabelo. Vestiu a bata branca, que abotoou com dificuldade. Sem tempo para pensar em dietas. Com todo o tempo para se deslocar numa carrinha branca com a inscrição «Apoio Domiciliário de Idosos». Saiu de casa eram 7h00. Tinha de levar um sorriso, higiene, alimentos, uma palavra, a 27 pessoas idosas, maioritáriamente sós, naquele dia.
Não sabe, mas já É.

Entrou em casa pelas traseiras, pelo lado do quintal. Tirou a chave do esconderijo que a mãe lhe ensinou. Entrou. Sabia que primeiro estão sempre os trabalhos de casa. Mas era cedo e não lhe levariam a mal que brincasse um pouco, enquanto esperava sozinha pelo regresso da mãe. Abriu uma caixa que tinha no quarto. Tirou lá de dentro uma boneca.
Vestiu-lhe uma bata branca. E depois, olhando-a bem, colocou-lhe uma cestinha na mão.
Vai ser.

Devemos admirar as pessoas pelo que são e nunca pelo que têm.

Pessoas anónimas, que têm pouco. Nada levam para casa. Nada possuem.

São riquíssimas !

Pessoas comuns, com pouco de seu, mas com um coração do seu tamanho.
São aquelas que mais merecem o nosso respeito, e o que deveremos procurar ser.

Pessoas, perante as quais me curvo. Passam a vida inteira a fazer coisas pelos outros. Nem sequer têm tempo para ambicionar.

Essas pessoas simples, cuja atenção ao seu quotidiano é capaz de fazer correr algumas lágrimas dos nossos olhos, vivem com um grande à vontade na vida.

É que eles sabem, que tem sempre um lugar à sua espera.

Pode não ser na Terra.

Sábado, Junho 13, 2009

Booking Com Mais Inteligência


Os Nadadores-Salvadores estrearam a nova Tshirt Amarela, enquanto os Barmans dos Restaurantes na Areia oleavam o seu Inglês, enferrujado desde o ano passado, comentando que parece que estávamos, subitamente, em Agosto.

Os Quiosques de Praia, mandaram vir, pelo sim pelo não, as revistas e jornais, em doses reforçadas.

É que o Algarve encheu mesmo, nestes feriados.
As pessoas ficam sempre com Stress ao ouvir notícias de que o Algarve está cheio, o que as faz entrar num corrupio de marcações de última hora, aceitando pagar Qualquer-Preço-Que-Seja, por um lugar ao sol, ainda que só por 1 noite, para gáudio do Turismo Algarvio, que já lhes conhece o Ponto Fraco.

Os Hoteis e Aparthoteis, os Apartamentos, os Quartos, os Sótãos, as Caves, e as Praias enchem, como se o Algarve tivesse sofrido um Marremoto de Gente, vindo do lado contrário.

Tirámos as teias do chapéu de sol, demos uma lavadela nas enfias, e lá fomos tambem.

Para quem resida no Alentejo - a 50 minutos do Algarve sem infringir o Código da Estrada - temos sempre Hotel Reservado.

Não é bem um Cinco Estrelas, mas é aquele a que estamos mais adaptados.
Nunca se estranha a cama. E, inclusivamente o colchão, já está habituado à nossa dor nas costas...
É verdade que não tem vista-mar, mas em contrapartida não nos constipamos com o ar condicionado.
E o pequeno almoço, tanto pode ser continental, como inglês, ou mesmo típicamente português. É á nossa imaginação.


Sempre que pretendo passar 2 dias consecutivos na praia, utilizo a minha técnica «Há Mar e Mar» e há ir-e-voltar-e-ir-e voltar e assim poupo os 120 € que gastaria numa 1 noite para um Triplo, mais os extras das camas extras e os utros extras que eles inventam nas entrelinhas das marcações, o COM-pequeno-almoço-Excluído. Sim, porque os Hoteis desde que aderiram ao Marketing positivo, deixaram de dizer SEM pequeno almoço incluído, para dizerem «com pequeno almoço excluído» a ver se ninguem repara.

Os pequenos almoços podem ser umas sandes maravilhosas de baguete quente e fiambre acabado de cortar, que eles sabem fazer de manhã aqui no Ecomarchê, acompanhadas de Galões. Custa cerca de 3 ou 4€ para a família toda, mas não divulguem ,senão eles sobem o preço.

O combustível, gasta-se mais, pois são mais 2 viagens. Mais 12€, do que se lá ficassemos alojados. Temos de fazer condução económica. Mas compensa.

Ao longo do dia, fazemos almoço rolante por causa das indigestões, comemos Sandes com Bongos, Batata Palha e Ameixas, enquanto constatamos, fingindo dormitar, praticando o pior exercício de bisbilhotice, que os temas de conversa dos portugueses mudaram pouco desde o ano passado: as notas dos filhos, a crise, as eleições, os impostos... e ainda existe a cunhada invejosa, que nem sequer se ofereceu para tomar conta do cão ou regar o canteiro...

Terça-feira, Junho 09, 2009

Poupança para Arresto


Fico sempre chocado quando tomo conhecimento pelos jornais que algum dos Poderosos da Nossa Sociedade, a quem os Tribunais pretendem arrestar bens, vive afinal, na maior penúria e mais completa pobreza.

Chocado e sobretudo triste.
Porque afinal, aqueles que era suposto terem abundancia, fortuna até, rodeados de bens materiais, afinal, nada têm de seu.

E o que tiveram, num acto de bondade entregaram tudo ao próximo (ou normalmente à próxima, para ser mais preciso.)


São totalmente desprendidos (ou desprenderam-se) dos bens terrenos, quais São Franciscos de Assis.

Umas almas nobres e humildes, de uma nobreza a toda a prova, que afinal, apenas pretenderam mostrar que eram abastados, mas que, confrontados com a possíbilidade de serem desapossados dos seus bens por algum passito errado que deram na vida, se veio a provar que vivem na mais modesta humildade.

A situação de pessoas poderosas sem bens nenhuns tornou-se de tal forma frequente, que decidi, a partir de hoje, que todos devíamos tentar amealhar alguma coisa para eventual arresto.

Assim, alem dos tradicionais mealheiros recomendados pelas Cartilhas da Poupança: Cestinho da Reforma (esburacado); Cesto dos Inprevistos (sempre vazio) e Cesto dos Sonhos (que nunca se realizarão), devemos passar tambem a ter o Cesto do Arresto.

Lá devemos colocar umas moeditas, como fôssemos a entrar no Metro e estivesse alguem a tocar acordeão.

Quando soubermos de alguem, que aparentemente nos surpreende e indigna por uma imensa riqueza rápidamente obtida sabe-se lá como, mas que, perante um processo de arresto , prova nada ter, podemos fazer-lhe um donativo, para o pessoal do Tribunal ou das Financas, não sair de mãos a abanar...

Sexta-feira, Junho 05, 2009

Bolo de Aniversário


Uma despesa com que todas as famílias se deparam anualmente, são as Festas de Aniversário, e designadamente, os Bolos.


Quem não se lembra das fortes dores de cabeça provocadas pela barulheira das crianças em casa, o desespero por alguns pais demorarem em vir recolher os diabinhos que nos confiaram uma tarde inteira enquanto lhes proporcionávamos o relax do sofá, no sossego das suas casas, a ver a Tarde Desportiva?

Quem não se recorda do jogo do Quarto Escuro que eles queriam fazer e que terminava sempre com várias nódoas negras na cabeça e bisnagas de pomada gastas para as disfarçar, por forma a que, quando regressassem a casa parecessem que regressavam de casa de Gente Decente, e não da Guerra do Vietname?

Ou das taças de gelatina encetadas, escondidas debaixo dos sofás, as nódoas de chocolate nos cortinados onde limpavam as mãos, ou mesmo das guerras fratricidas entre os amiguinhos do aniversariante que não eram assim tão amiguinhos entre eles?


Do Jogo da Bolacha Pendurada num Fio, de olhos vendados, e todas as parvoíces que um pai é capaz de imaginar para entreter mais de 20 crianças, mais das vezes, enquanto a mulher dele se lembra de ir mostrando a casa às amigas…

De fazer de cavalo, com cinco putos de 4 anos montados, cavalo atordoado aí por umas 2 médias da Sagres, para conseguir sobreviver à Cavalgada ?

Muitas vezes, por falta de tempo ou desleixo, ou «escaldados» pelo sofrimento atrás descrito, em que a festa é Festa de Anos para uns, e Tortura de Anos para outros, as famílias optam por gastar em gasolina e carregar os convidados para o McDonalds, Pizzaria ou Casa dos Crepes e pronto.

Um quilo de bolo de aniversário custa actualmente cerca de 10 €, mais os adereços.
Raramente alguem encomenda um bolo de apenas 1 quilo. Pelo menos, são 2 quilos, o que dá 20 €.
Se juntarmos os posters do Noddy ou da Branca de Neve, ou mesmo a foto digitalizada directamente para o Massapão, as Velas e ainda o Foguete Teimoso, dá um dinheirão.


Fazer um tabuleiro de pão de ló caseiro, cortar ao meio, meter lá as frutas (ananás, pêssego e morangos, encharcar o bolo com os respectivos açucares onde as frutas passaram uma hora, e decorar com chantily, fica cerca de 80% mais barato, e muito mais natural, saudável e melhor: leva ovos frescos em vez de ovos em pó e outras coisas esquisitas que as pastelarias utilizam.

Se quer um conselho valioso, abandone a ideia dos bolos da pastelaria.

Comece por treinar com os bolos dos adultos, por exemplo o de uma avózinha, que só pelo gesto, mesmo que o bolo esteja intragável, se vai derreter...

Terça-feira, Junho 02, 2009

Poupar a Sério


A vida está cheia de ratoeiras.
As Quantias Que Conseguimos Poupar ao Longo da Vida, resultam, em grande parte, da forma como conseguimos contornar hábilmente certas solicitações, evitar compras compulsivas e abastecer o mealheiro na mesma proporção.

Poucos serão os portugueses que não compraram 1 colchão que promete o fim das insónias e das dores nas costas, 1 aspirador que é como que se trouxesse uma empregada doméstica incluída, 1 semana de férias num Hotel para a vida inteira, ou, mais recentemente, 1 panela que vem equipada, mais ou menos, com as funcionalidades de uma cozinha inteira, só para referir alguns dos exemplos mais populares.

Tudo material barato, pois claro.
Gadgets para donas de casa desesperadas, a quem apetece algo. De Gadgets, prefiro mesmo o Inspector.

Não digo que não sejam negócios interessantes, mas sê-lo-ão sobretudo apenas para uma das partes.

Conheço pessoas que ainda hoje se interrogam onde teriam a cabeça no dia em que dispenderam dinheiro por um Colchão em quantidade suficiente para 3 mobílias de quarto completas. Outros que se lamentam por estarem a pagar um Aspirador em prestações o resto da vida, com o que assegurariam um contrato vitalício com uma firma de limpezas. Ultimamente, é uma panela milagrosa, onde se mete o porco e saem os chouriços logo embalados.

Os vendedores porta a porta desta maquinaria sofisticada - e cara- são treinados em como penetrar em certos nichos de mercado específicos.
Não é preciso ser muito esperto para descobrir quais: sítios onde haja mulheres, bastantes mulheres, quanto mais mulheres melhor.

Nas nossas Escolas, Câmaras, Juntas de Freguesia, Cabeleireiras, etc, aparecem com frequência uns homenzinhos (ninguem lá os devia deixar entrar), para fazer umas demonstrações às funcionárias.
E pronto, é deixar correr o tempo, que elas se hão-se encarregar de fazer fluir o negócio.

Elas falam umas com as outras, comentam - as mulheres são comentadoras natas- e hão-de convencer-se umas às outras que fizeram a melhor compra das suas vidas, sobretudo para despertarem INVEJA.

Inveja, nas mulheres, pode ser entendida pela positiva ou pela negativa, do tipo «Eu tenho o melhor dos mundos e tu, se não comprares uma Bimby, és Bimba» ; ou « Sei que fiz um negócio ruinoso, mas vou dizer o melhor, para que se arruinem tambem».


A melhor solução para evitar estas compras é mesmo não ter nenhum dinheiro extra para fazer asneiras.

Tenho conseguido evitar grandes negócios...

Segunda-feira, Maio 25, 2009

Overdose de Festas


Este ano, com eleições autárquicas à porta, a orgia das festas está instalada.
Os presidentes de Câmara e aspirantes candidatos, são capazes de arrancarem um olho uns aos outros para disputarem o artista mais caro, a festa mais-de-arromba.

Não admira, porque vivem noutro mundo. Basta seguir no Correio da Manhã as vidas faustosas que leva esta malta da política local, salvo raras excepções.

E, simultâneamente, há pessoas carenciadas, jovens em início de vida a lutar com os magros euros,a precaridade da vida, o recibo verde.
Pessoas a quem o desemprego espreita, carências cada vez mais visíveis na Sociedade.
Assistímos ao manifestar de alguma preocupação com isto? Desemprego? Risco de pobreza? Isso dá votos? Não dá.


A populaça, sobretudo agora que acaba o campeonato de futebol -outro rentável sorvedouro dos dinheiros públicos a nível local - quer é Festas.

Quantas mais e maiores, melhor. Para dar para todos os eleitos, e candidatos locais se passearem, se darem a ver, para que algumas pessoas, finalmente os vejam de perto.


Desta forma, decidi este ano suprimir a minha ida à maior parte das festas que por aí pululam.

Aproveitava assim, para protestar contra o pavoneamento dos autarcas e esbanjamento de dinheiros públicos, quando descobri, assim, que tal representa mais uma excelente Forma de Poupar.


Todos os fins de semana há grande variedade de festas- estamos práticamente cercados - sendo que a dificuldade reside em escolher para que lado virar o carro para ir para a folia:

Ovibeja e Festas de Beja em Beja, Feira de Garvão-Ourique e Feira do Porco Preto em Ourique, Carnaval de Almodôvar, Feira Medieval e FACAL de Almodôvar, Festival do Peixe de Rio e Festival Islâmico de Mértola, Quinzena Cultural de Castro Verde e Festas da Vila de Castro Verde, e por adiante para não me alongar, pois não quero fazer concorrência às rádios, jornais locais e blogs que divulgam amplamente estes acontecimentos periódicos, embora este ano elevados ao cubo, sobretudo em verba.

Pegando no exemplo do Festival Islâmico de Mértola a que não fui:

Quanto é que poupei, só nas Sandes de Camelo?

E nos bolos de Tâmara e Sementes de Sesamo?

É que nas Festas, com os filhos pela mão, a minha carteira, por Artes do Diabo do Aladino, tranforma-se num «abre-te Sésamo» permanente.


Que me desculpem os autarcas/organizadores de não ter contribuido para os Milhões de Visitantes que gostam de anunciar, de não ter contribuido com a minha Limousine para Entupir os Acessos e Estacionamentos nos largos de feira e campos da bola dessas localidades - o que dá falatório no trabalho para uma semana - com os autoctones a jurarem que viram excursionistas na terra em número nunca visto.

Posso não ter poupado bastante dinheiro, sentado em casa, frente ao meu Home Cinema Worten, a ver Filmes Novos em formato rmvb.

Mas poupei, sobretudo, a paciência.

Segunda-feira, Maio 18, 2009

Orçamento Em Fatias de Pizza




Trabalha longe de casa e assumiu que tem de almoçar todos os dias, copiosamente, num restaurante.
Que é para isso que serve o subsídio de almoço, blá blá,blá, etc e tal?

Tudo desculpas de Bom Pagador para evitar corrigir Maus Hábitos.

Todos deveriamos ganhar aí uns 200% do que ganhamos, ou mais.
Mas infelizmente isso não é possível, e todos devemos ter a noção de que na realidade, ganhamos, apenas, 100% do nosso salário.

Suponhamos 1.000,00€: uma conta certa, para ser mais fácil de fazer as contas.

Assim, uma pessoa que insista em ir todos os dias úteis almoçar ao restaurante, se tiver a sorte de, por exemplo, pagar até 6€, em 22 dias úteis, são 132€.

132€, é assim 13,2 % do salário, ou seja mais de 1/8.

A minha professora costumava ensinar-nos as percentagens com fatias de bolo, antes dos bolos serem servidos individualmente dentro de sacos de plástico. Nos tempos em que os bolos eram redondos com um buraco no meio.
Bolos de laranja ou de chocolate. Quando descobriram o pó royal, começaram a querer fazer bolos modernos de iogurte ou mesmo de Sumol, começou o declíneo: foi um passo até ao Bolicau.
Eu costumo utilizar o exemplo da pizza para se perceber bem o orçamento.

E assim, se partir a pizza como eu faço cá em casa, em 8 partes, o seu gasto só com o seu almoço diário no trabalho, é mais do que uma fatia (restam menos de 7).

Só para um almoço por dia, para si, consome mais do que uma das 8 fatias da pizza.

Valerá a pena gastar tanto ?

Terá efectivamente condições para continuar a almoçar fora todos os dias?

Já equacionou levar, sempre que posível, alguma coisa de casa para o almoço?

E das outras quase 7 fatias, ainda tem de tirar para a alimentação da família e para as outras refeições de todos, para pagar a renda de casa, o carro, o combustível, as despesas da casa com luz, água e gás.

Previna-se. Acho boa ideia levar a maioria da vezes o almoço de casa, a menos que tenha efectivamente um nível de rendimento apreciável, o que não sucede com a maioria...

Vai sentir-se mais leve, mais satisfeito com o dinheiro a sobrar na carteira para acorrer a eventualidades, para dar às crianças, para poupar num mealheiro.

Experimente e vai ficar surpreendido. Eu fiquei.

Sexta-feira, Maio 01, 2009

Compensar os Preços do Combustível


Uma forma de compensar o preço elevado do combustível, e assim poupar, é passar a andar mais à boleia.

Começam a haver anúncios na Net de pessoas a querer partilhar os carros e mesmo Empresas a incentivar os empregados a virem juntos para o trabalho. Algumas não terão muito sucesso, pois se o tempo de trabalho em algumas delas já é um sacrifício para se aturarem uns aos outros, agora ainda mais as viagens.
Enfim é tentar. Não faltam por aí pessoas a fazer o mesmo percurso todos os dias.

Hoje, já, mais ou menos, toda a gente toma um banho matinal.

E nem toda a gente a quem pedir boleia tem uma religião esquisita, ou opiniões sobre todos os assuntos, nem todos vendem produtos Herbalife ou marmitas da Tuperware.
Mas quase todos têm umas cassetes do Marco Paulo..



No Alentejo, há muito que descobrimos outra forma, totalmente diversa e mais imaginativa, interactiva, para esbater este assalto à carteira que é o custo do combustível.
Quem se desloca pelas estradas municipais, para ir trabalhar nas freguesias, nas vilas e aldeias no Alentejo, pode, sempre que queira, caçar Lebres com o carro.
Lebres, coelhos e perdizes, que servem para rechear a arca congeladora, e confeccionar saborosas receitas, permitindo ter sempre à mão uma boa carne para o prato, além do mais, inteiramente biológica e sem resquícios de hormonas.


E nem se pode dizer que seja caça ilícita, porque não são os condutores que os matam. São eles que se suicidam. Com o Alentejo tão grande, porque razão se iriam meter no meio da estrada, se não quisessem ir para ao prato?

Porem, este é um dos casos que partilho, mas que comigo, não resulta.

Devo dizer que nunca tive grande habilidade para a coisa, não sei se é pela minha nítida falta de feitio para a violência, mas na maioria das vezes em que experimentei não desviar o carro, cacei apenas um pára-choques recauchutado e o gozo do bate-chapas, donde concluo que para caçador não nasci muito dotado.

Doutras vezes em que, conduzindo acompanhado, tive a vaga possibilidade de abalroar algum bicho que estivesse na estrada à boleia, levei uma guinada no volante dado pela minha mulher, logo seguida de um valente chapadão na cabeça, acompanhada de um grito «ai o coelhiiiiinho….» ou «cuidaaaado com o ouriço!», pois ela é tão acérrima defensora dos animais e da vida selvagem, que não tenho a mínima dúvida que se alguma vez encontrar algum cabelo de uma Lebre agarrado a um banco do carro, não hesitará em entregar-me, imediatamente, à Polícia.

Quarta-feira, Abril 22, 2009

O Pior Cego


Há vários dias que não dormimos com jeito.
Revezamo-nos, eu e a mulher, à espera do SMS da DGCI, a dizer quando receberemos o reembolso do IRS
.

Desde a última diarreia que atacou a família que não me levantava com tanta frequência, apenas para ir até à mesinha do corredor, ver o telemóvel que aí repousa, em cima do naperon.

Com a ansiedade que o Ministério da Finanças veio criar com esta modernice, creio mesmo que já ando a ouvir coisas que me parecem o som das mensagens. Às vezes são mesmo mensagens, só que da Vodafone a pedir carregamentos, ou do Cetelem e Rádio Popular a oferecer vantagens fantásticas. Coisas demoníacas, que fazem com que o meu diabo interior fique toda a noite em litígio com o anjo que vos escreve estas palavras.

Dei comigo a pensar como é espantoso o número de pessoas que não têm presente o seu orçamento, sobretudo ao nível da despesa. Ou seja, que não tem a certeza de quanto gasta por mês. Para onde vai, na verdade, o seu dinheiro.

Desengane-se quem pensar que essa situação se deve à fraca cultura/alfabetização, à iliteracia e desculpas desta ordem.

A meu ver, a esmagadora maioria não sabe, porque não quer, realmente, saber.

Prefere enganar-se a si própria – o que dói menos – afirmando que a culpa é, por exemplo, do Euro «esta moeda não vale nada, o euro veio estragar tudo», fingindo que ainda não teve tempo de fazer contas para ver que 1 euro vale mais do que 200$00 (D U Z E N T O S E S C U D O S), devendo portanto dar uma mangueirada no pára-brisas em vez de meter EUROS no Elefante Azul; ou que vale mais levar para a Escola um papo-seco com uma fatia de fiambre e um sumo de laranja natural num copo com tampa, do que meter DOIS EUROS na máquina dos Bolicaos em self-service, péssimas para os euros e para a obesidade infantil, já para não falar na do TABACO que são autênticos mealheiros dentro dos cafés, onde o dinheiro não pára de pingar.

Devo dizer a este respeito que nunca percebi a obsessão dos ladrões pelos Multibancos. Penso que também os ladrões no nosso país terão de recentrar a sua actividade, e seria mais inteligente da parte deles se optassem pelas Máquinas De Tabaco.
Porque motivo insistem em carregar uma coisa, porventura mais pesada, de onde toda a gente RETIRA dinheiro, em vez de optar por uma mais leve onde toda a gente METE dinheiro?

Uns parvos, os ladrões. Desde que me conheço me divirto com os únicos ladrões assumidos que conheço – os Metralhas – cuja burrice se vê até pelo facto de serem facilmente presos por qualquer pato: quando mudam a T shirt laranja, é sempre para a das riscas.

As pessoas, de um modo geral, não se querem confrontar com os seus próprios erros. Por isso preferem apenas espreitar pelo canto do olho quanto gastam, e é muito, e é demais. Preferem não encarar de frente o seu orçamento.

E o Pior Cego..

Quinta-feira, Abril 16, 2009

Identificar Oportunidades Para Gastar Menos


Perdidos os hábitos de poupança das famílias portuguesas, todo o dinheiro dos rendimentos das famílias tem sido canalizado para adquirir bens e serviços.

As necessidades, sem darmos por isso porque o processo é lento e gradual, foram aumentando para patamar ao nível da disponibilidade de recursos. Pouco a pouco, instalámo-nos mesmo no limite máximo possível da satisfação dessas necessidades, sem qualquer reserva.
Deu no que deu.

E quem pode claramente indicar de quem é a culpa?


Posto isto, face à gravidade da situação actual, começa a afigurar-se-nos apenas um caminho que cada qual terá de percorrer:

- Descobrir de que serviços poderemos abdicar, reduzir a sua utilização, encontrar formas mais baratas de os manter ou realizarmos nós próprios esse serviço, para não gastar dinheiro como habitualmente.

-Descobrir que bens podemos produzir, que bens substituir por outros de menor preço, em que bens poderemos reduzir o consumo, ou mesmo dispensar.


Deveremos catalogar as várias áreas, analisar friamente o orçamento, ver para onde tem ido o nosso dinheiro.
No meu caso, adoptei um bloco de «Poupança de Bolso» onde anoto, cada vez que me lembro de alguma área onde possa aplicar estes princípios básicos em época de vacas magras.

Uma boa ideia é «pegar» por exemplo no ano anterior, identificar as grandes ocasiões em que se gastou muito dinheiro, como por exemplo, idas a festas e casamentos, férias no exterior, restaurantes, luxos, ourivesaria, exagero compras vestuário e calçado, ida ao futebol a Lisboa, a caça, o cabeleireiro, etc, e tentar reduzir, substituir, eliminar este ano.

Esses eventos consumiram a parte que devia ter sido canalizada para a poupança.

Não os repetir, é dinheiro em caixa.
É prudente e responsável tomar estas medidas em época de incerteza. Ganhamos em tranquilidade face ao futuro.


Porém, desde que demos connosco a mandar vir no restaurante o «Menú Crise» já começamos a ter tão pouco onde cortar…

Quarta-feira, Abril 08, 2009

Cortesia Para Inglês Ver


Há dias, enquanto circulava de automóvel dentro de Castro Verde - mas podia ter sido em qualquer outro ponto do nosso país - constatei algo de novo, que vem pôr em causa tudo aquilo que já foi afirmado, inclusive pelas estatísticas: não é verdade que os Portugueses sejam malcriados ao volante, que não respeitem os limites de velocidade e não cedam civilizadamente a passagem aos peões nas passadeiras. Pelo menos, não o fazem com toda a gente.

Reparei que o carro que seguia à minha frente, depois de na Rotunda dos Porcos quase ter matado duas idosas que se atreveram a passar numa passadeira, e que tiveram de o fazer em passo de corrida, a toque de umas buzinadelas e roncos de motor, logo a seguir, na Rotunda das Ovelhas, abrandou, parando gentilmente para deixar passar um casal de turistas com um carrinho de bebé, apesar dos mesmos ainda estarem a vários metros da passadeira e haver tempo mais do que suficiente para o carro passar, e mesmo mais uns 2 ou 3 carros que seguíamos atrás.

Como o dito carro não mudou, de certeza, de condutor, testei assim o que de há muito desconfiava:
Os portugueses, sempre estupidamente preocupados com o que os estrangeiros pensam de nós, pese embora sejamos uns bovinos a conduzir para com os peões portugueses, conseguimos ser super simpáticos para com os estrangeiros.

E quando algum condutor se arma em mariquinhas, a abrandar nas passadeiras, nós, os portugueses peões, esperamos e fazemos-lhe sempre sinal para passar e se deixar de merdas, porque todos nós sabemos que primeiro estão os carros. Tal como na autoestrada vamos pela fila da esquerda, porque a da direita é para os camiões.

Daí formulei uma das minhas Teorias, que aqui vou patentear e depois aliciar a Prevenção Rodoviária Portuguesa para a comprar por uma fortuna, que consiste no seguinte:
- Se os Portugueses se disfarçarem de estrangeiros na rua, deixa de haver atropelamentos.

Bem, não é uns estrangeiros quaisquer.
São estrangeiros de países mais ricos que nós, onde supostamente as pessoas são mais civilizadas, e a quem queremos mostrar que, embora sejamos assassinos potenciais para com os nativos, sabemos representar como se conduz nos seus países.
O que fazemos sempre que nos surge um turista pela frente, ou na falta dele, o carro da polícia.


Pelo que, se começarmos por adoptar umas roupas de férias, umas tatuagens, uns chapéus, tudo o que nos faça parecer com turistas, resulta em menos mortos e feridos nas ruas e estradas portuguesas.

Outro adereço recomendado é um carrinho de bebé, que oferece garantia total de ser estrangeiro.
Toda a gente sabe que em Portugal, normalmente, os portugueses geneticamente condicionados pelo hábito de trabalho braçal, e também pela preguiça de andar a montar e desmontar carrinhos, preferem andar com as crianças directamente ao colo.

Terça-feira, Março 31, 2009

A Solução Para O Sobreendividamento


Nunca como agora se falou tanto em sobreendividados.

Ao princípio, referiamo-nos objectivamente a pessoas que não avaliavam correctamente as suas possíbilidades, querendo ter tudo imediatamente, endividando-se alem dos limites do razoável.

Depois, sobreendividado, passou a ser sinónimo de coitadinho, a quem todos devemos ajudar. Não é ele que deve, somos nós sociedade, que lhes devemos.

Confesso discordar completamente desta segunda abordagem
.

De resto quando ouço falar em mais Justiça Social, começo logo a sentir as moedas a fugirem-me dos bolsos, para os de quem vive pendurado, anos a fio, ao Estado.

Há dias, por exemplo, constatei que o simpático mais rápido reembolso do IRS anunciado, e tendo eu, mais ou menos, o mesmo rendimento e despesas do ano anterior,
parece que vai ser apenas um terço do valor do ano passado. A rapidez do Estado é para devolver, ou para retirar mais?
Deve ser mais Justiça Social que aí vem. Mais 2 ou três sobreendividados a precisar da minha ajuda.

Eles, coitados, viram mais alguma coisa a que não foram capazes de resistir- a nossa sociedade, coitados, tanta publicidade, tanto Centro Comercial, tanto Banco, compraram quase tudo quanto viram. E agora, caber-nos-á auxiliá-los de alguma forma, para os aliviar.


A meu ver, a solução para o sobrendividamento não é a Deco, nem a Segurança Social.
A solução é muito simples, tal como 2 e 2 serem 4, e não se percebe que ninguem a veja.
Aos meus olhos ela é nítida e de tão óbvia, não entendo tanta relutância em aplicá-la. De resto, é praticada, sempre que necessário, em Sociedades muito mais desenvolvidas que a nossa, como nos Estados Unidos ou no Canadá:

Vou explicar para quem não sabe o que é: designa-se por «Open House»


É assim, os sobreendividados, para aliviarem a cabeça de pensar em tantas dívidas devem começar por ir a uma loja chinesa, comprar uns pacotinhos de etiquetas.
E depois, com uma esferográfica, nas horas vagas, ou com as insónias que o sobreendividamento lhes provocar, desatam a marcar -com um bom desconto- tudo aquilo que compraram além das sua possibilidades. Toca de abrir as gavetinhas, juntar o papelinho da garantia, se ainda tiver, o manual de instruções, e expor pela casa.

E depois, é só informar o dia, pode ser através da net, ou mesmo colocando uns balões coloridos na porta, para sabermos quando tem a casinha aberta, para o pessoal ir lá ver se tem alguma coisa que nós , os que temos vivido dentro das nossas capacidades, podermos comprar com um bom preço, ajudando-os assim.

É essa, a solução dos balões, a única que conheço, para o sobreendividamento.
O resto, são balões de oxigénio.


E a Segurança Social, ou a DECO, se quizessem realmente dar uma mãozinha, bem lhes podiam organizar uma espécie de feira da ladra, um mega bazar, para lhes garantir o anonimato e não gerar constrangimento.

Vá, mostrem lá, etiquetem lá esses esquis, os fatos de neve, os timberlandes, a moto 4 e a mota de água, os dvds portáteis, as máquinas para fazer tudo, a roupinha de marca, agora que depois da ganga lavada ficou na moda a roupa usada..

Sempre pode ser que seja desta que vou experimentar conduzir com uns estofos em pele, ou ver o futebol num ecran gigante na sala, obter um telemóvel decente,a cores e com sons reais, resgatar um aquecimento melhor para curar a bronquite dos putos cá em casa.

Tudo situações que adiamos anos a fio e de que nos privamos por não ganhar o dinheiro suficiente para aceder às mesmas.

A menos que tenham gastado tudo em hotelaria e restauração ou agências de viagens...
A Outra Alternativa para eles, os sobrendividados e para nós os Sobreexplorados, passa por aí: Era fazerem uma viagem. Só de ida...

Quarta-feira, Março 25, 2009

Os Pobres da Sopa


No panorama actual, o tema deste blog vem ganhando mercado, e um tema vulgaríssimo nas conversas de ocasião, passou a ser: como cortar nas despesas correntes.

E a este propósito, os CARREGAMENTOS dos TELEMÓVEIS, cada vez menores e menos frequentes, encabeçam a lista, para desgraça das Operadoras, de quem obviamente todos devemos ter muita dó.

Apesar de algumas pessoas estabelecerem uma escala de prioridades invertidas, onde o telemóvel representa algo imprescindível, e que são capazes de sofrer mais com um telemóvel que só ligue para o 112, do que com o roncar do estômago, em horas de aperto no orçamento, parece que continuam a optar pela sopa.

Passámos a ter a Sopa dos Pobres e tambem os Pobres da... Sopa.
Em vez da Sopa dos Pobres, penso até que devíamos avançar rapidamente para o «Carregamento» dos pobres.
Em vez de uma panela, colocava-se um Multibanco.
Porque a Sopa dos Pobres já não é para os mesmos pobres, parece óbvio que temos de mudar de Sopa.

Há aqui espaço para algum Emprego, e mesmo ao nível do Voluntariado. Coisa que parece, o Primeiro Ministro ainda não viu nem anunciou: Medidas de Apoio às Pessoas-Saldo-Zero-no-Telemóvel.

Teríamos então a TVI a interrogar a responsável duma espécie de Banco SMS Alimentar , uma senhora loura de olhos verdes (com um apelido estrangeiro tipo Ulrich, ou Monet, ou Simonetta, ou Sargent - porque todos sabemos como os apelidos estrangeiros dão «pau» e só um estrangeiro poderá oferecer garantias de estar mesmo a querer fazer alguma coisa pelos portugueses:

- Então como está a decorrer esta vossa acção?

- Muito bem, já carregámos um pouco de tudo, umas centenas de Powers, Tags, Moches, enfim .. Extravaganzas.
Extravaganzas é tudo o que podemos dar no Banco Alimentar SMS. E é ver a alegria estampada no rosto destas pessoas...


A repórter , fazendo depois uma careta humanitária, dirige-se a um mendigo digital, com ar de quem há mais de uma semana que não enviava um SMS:

-O senhor, o que tem a dizer desta iniciativa?

- Deixe-me só instalar aqui mais um toque polifónico e enviar mais 42 SMS que eu já lhe digo... Foi um sofrimento, a gente, a crise de alimentos já nem ligamos, de roupa tambem não, agora de telemóvel... (lágrimas) uma pessoa sentados a mesa, com os filhos, eles a falar com a gente, sem um unico MMS, SMS, sem as mãos debaixo da mesa, sem nada em cima da perna... (limpa-se ao lenço) Ver os putos a andar de bicicleta com as duas mãos no guiador...sem telemóvel ... é demais para um pai!..
Prontos , não estávamos habituados a viver sem colmis, nem cravas, a ouvir entrevistas na televisão sem um som de Chamada da Nokia em música de fundo no bolso do entrevistado..., nem mesmo a ver o varredor da rua com as duas mãos na vassoura, como as bruxas...


O abuso do telemovel está a tornar a vida das pessoas dissipada dado que estão a receber via telemóvel tantas solicitações simultaneas, que as fazem andar com a cabeça à roda, e a concentração deixou de existir para poder passar a fazer algo de proveitoso, como trabalhar ou estudar, ou apenas falar com a família.

Desde que o telemóvel passou a perturbar a missa, a ouvir-se nos enterros, que se passaram a ver luzes no cinema sem ser a lanterna do arrumador, que temos aqui uma excelente oportunidade de poupança: aproveite-a !

Segunda-feira, Março 16, 2009

A Mesa da Sala de Jantar


Nunca demos grande uso à mesa da sala de jantar.
Nos primeiros anos de casado, obviamente, não havia «espaço» para tal luxo.
De resto, «mesa», mesmo na cozinha, era apenas em sentido figurado, dado que fomos forçados a adoptar a Cultura Oriental, comendo no chão com umas almofadas, até conseguirmos convencer a Moviflor que éramos pessoas credíveis para nos venderam a tralha básica.


Depois, as circunstâncias coincidiram com aqueles anos-bons em que julgámos de repente estar ricos, supondo que íamos ficar ricos para sempre, comprando mesmo o que não nos fazia falta, com o dinheiro que ainda não tínhamos.
Pelo que o Restaurante liderava todos os meses o Top dos movimentos do cartão de crédito
.

Agora, que veio de repente a Crise, decidimos concentrar os jantares na Noite de Consoada (lava-se menos louça) e dedicarmo-nos mais à Dieta o resto do ano.

Vai daí, uma noite olhando bem para os móveis, decidi que era um desperdício ter uma mesa tão grande em casa para nada, e passei a rentabilizar a Mesa da Sala de Jantar, dado que habitualmente tomamos as refeições na cozinha, promovendo à volta dela uma reunião familiar, de comparência obrigatória, todas as semanas.

Um reunião semanal, embora de família, mas formal, com uma ordem de trabalhos, uma agenda, um horário, assuntos propostos por todos, para treinar os filhos para CEOS de Empresas Públicas, onde pagam bastante bem.

São abordados temas como as Senhas da Cantina, a Arrumação da Roupa Interior nas gavetas para toda a semana ao sábado, a Escala Lava-louça, as Mesadas, a Lista de Desejos Não-Materiais, alem de uma apresentação do que é o Bulling.

É assim que foi sugerido para a próxima semana, o lançamento de um Concurso de Menos-Gritos, ponto este que me está intrigar, dado que, como calcularão, não faço ideia do que trata..

Quinta-feira, Março 12, 2009

Confie em Si e Nunca Abandone as Suas Ideias


Quase tudo aquilo que nos rodeia decorreu de uma ideia original.
Aquilo que cada um de nós é, é fruto da ideia que fomos construindo de nós próprios, da história permanente que contamos a nós mesmos e àqueles que ainda têm paciência para nos ouvir.

A maioria das pessoas não aproveita adequadamente o poder das ideias que tem, porque as esquece.E é pena.


Quanta Microsoft ficou por fazer, quanto Banco Alimentar, Fundação Gulbenkian ou Google ficaram por fazer, apenas porque alguém a quem ocorreu uma ideia brilhante, a terá esquecido, ou não lhe deu a devida importância?

As ideias, são como os sonhos. Se ao acordar não os escrevermos ou os revelarmos a alguém, perdemo-los para sempre.

Nunca me entretive a obter informação sobre o significado dos sonhos, o que classifico ao nível de charlatanice.

Mas é indiscutível que os sonhos desempenham um importante papel terapêutico, sobretudo para nos reconciliarmos com os outros e connosco mesmos. Através deles, conseguimos o impossível, mas não apenas. Com eles, saltamos algumas barreiras que de outra forma nunca teríamos coragem suficiente.
Todos nós já acordámos em situações tão impensáveis e embaraçosas à vista desarmada, como abraçando o chefe, ou a fazer as pazes com pessoas com quem temos dificuldades em nos relaccionarmos, durante os sonhos, e acordámos com a tranquilidade que só o perdão concede
.

Vou agora partilhar a forma que utilizo, e que recomendo, para não desperdiçar as minhas ideias.

No trabalho, onde passamos metade da nossa vida, costumo ter sempre um mail aberto(que guardo nos rascunhos -drafts) onde por vezes coloco ideias que tenho e que penso que podem ser importantes. Esboços, uma saída, uma solução para resolver algum problema que nos atormente.
Prefiro o mail porque posso enviar para mim próprio, para o mail a que acedo em casa. Algumas vão para o lixo, mas também já lá tenho colocado algumas valiosas. Depois, de vez em quando, acedo às mesmas em casa, para calmamente, as aprofundar
.

Já tenho pensado que se este tráfego regular de mails, por alguma razão, alguma vez fosse interceptado parte dos meus patrões, seguramente corariam de remorsos, ficando a recriminar-se o resto das suas vidas pelo aumento de ordenado que sempre adiaram, ao encontrar, no lugar de supostos conteúdos comprometedores, umas simples reflexões e sobretudo ideias de como poupar.

Qualquer coisa como quando o Exército dum país poderoso bombardeia uma casa de supostos terroristas e depois verifica que só lá vivia uma velhinha assustada...

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